quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Esta manhã.

Estou em ritmo, ouvindo La Roux, Tigerlily é a música e um cigarro em meus lábios. O ventilador ta ligado, me esfriando o corpo, mas minha mente continua acelerada e eu penso no tempo lá fora, e hoje eu preciso me arriscar, com os favores que vou fazer a minha mãe e a apresentação do Felipe, tenho que me apressar. Um momento, vou acender meu cigarro. - Pausa - Pois bem, as cinzas estão no teclado e eu vou confabulando, sem saber muito bem como seguir, prefiro me arriscar mesmo, preciso por o pé na estrada, ON THE ROAD, grito! A fumaça do cigarro me anima, me da extase, e eu já não me sinto frágil, minhas ideologias foram jogadas pela janela, e eu rearranjei algo novo, algo mais selvagem e cruel, sem precisar de dor, apenas a base de tapas indolores, incolores e eu continuo confabulando, com a música num ritmo louco, acreditem, está tudo fervilhando e eu estou com uma vontade de fazer besteiras, eu quero todo o pouco que puder contar ao meu redor, eu estou definindo, com o tempo não me restará silêncio.
É engraçado, que posso saber quando pessoas passam na rua, pois a luz de fora passa com uma falha em sombra pelo meu quarto, algo quase inotável, mas da pra saber da movimentação, da pra cair na realidade que o mundo esta em movimento, mesmo que eu esteja vivo, parece que não estou aqui, por vezes. E em outras eu me acabo em cig's, água e música delirante, energético musical, sabe como é? Há algum tempo atrás eu dancei no meu quarto e fumei 7 cig's direto, foi alucinante demais, foi uma private partie em solo, me mantive fora de mim, mesmo estando dentro.
E agora, no meu quarto, não tenho sentido a saudade forte que é ter um amor, mas ontem queria ser abraçado, sim, e só havia eu, então me acalmeu e minha posição ficou toda para mim. Eu gosto de estar quieto, mas prefiro a agitação sentimental, prefiro estar fazendo loucuras e quebrando paredes, prefiro não medir meus limites e assobiar na rua, cantar em inglês e desfazer minhas dores com uma alegria ou distração qualquer.
Por fim, vou pro banho, me arrumarei, sairei, resolverei sobre os exames da minha mãe e depois vou ver o concerto, onde meu amigo irá tocar violino. Acho lindo. Ah, Yann Tiersen, um dia vou no teu show.

Um quarto em chamas.

Meu quarto permanece uma bagunça, como cinquenta por cento do tempo que permaneço nele, e penso que é cinquenta por cento, porém eu não sei, não ao certo, mas não faz diferença pra mim. Meu violão esta jogado no sofá, que não combina com ele, pois é verde (o sofá). O teddy esta numa posição estranha, lá encima e ainda tem um bolo de roupas escondidas pelo violão, para que a minha mãe entre e não repare. Meus sapatos ainda estão com a meia dentro, roupa e bolsa por cima da cômoda, copos na cadeira e na estante, cinzas pelo chão, o cinzeiro servindo como lixeira. Três potinhos de iogurte, uma rede numa escapula. Um quarto todo sujo de riscos. Um quarto todo decorado em riscos. A toalha velha, secou com o amanhecer, meu celular ao meu lado, não toca, a caixa de som desligada, um cigarro e isqueiro prontos para serem usados, e eu aqui, descrevendo o que achar melhor. Este meu projeto é como um falatório próprio, mais pessoal, que agradeço bem a ideia, que finalmente pude levar adiante com a ajuda de Joyce.

Sou um adolescente (agora de 19 anos) com semitons (quando a diferença de tom ou casa é de uma pra outra) brilhantemente observados. Sabendo-se que só existem semitons entre o MI e FA, SI e DÓ, não é muito frequente, não se é raro também, mas tem seus direitos observados, mantidos, espalhados pelo corpo e jeito, mente e novamente coração (sim, novamente, pois sou sentimentalizado em tudo que escrevo).
Quarto em chamas, este é o começo do que aqui comecei, e pretendo falar mais abertamente e em tom menos poético. Porém, tem que ter a poesia, o tal shake, shake para que não perca a graça e a identidade do que sou, apesar de me manter em metamorfose, acredito que vou aprimorando, então aqui jaz, o sonho de Pablo, Francis e quem mais couber.